"A infraestrutura é adversária do Brasil na Copa de 2014", afirmou o senador Alvaro Dias (PSDB-PR) ao avaliar as principais dificuldades que o país enfrentará na preparação para a Copa do Mundo. Um dia após o final da Copa da África do Sul, lembrou o senador, a própria Fifa advertiu que "falta tudo" para o Brasil ter condições de sediar o próximo mundial de futebol.
Naquela ocasião, o secretário-geral da Fifa, Jerome Valcke, declarou que o Brasil precisa construir estádios e estradas, modernizar o sistema de telecomunicações, ampliar os aeroportos e garantir vagas suficientes no setor hoteleiro. O Tribunal de Contas da União (TCU), por sua vez, disse o senador, já alertou que as providências estão "impressionantemente atrasadas".
O temor do Tribunal de Contas da União, explicou Alvaro Dias, é que se repita a experiência que ocorreu nos jogos Pan-Americanos Rio 2007, cujo orçamento inicial de R$ 520 milhões passou, ao final da obra, para R$ 4 bilhões. Naquela ocasião, o governo federal assumiu gastos a título de socorro emergencial. O senador acrescentou que o TCU também teme que alguns estádios se tornem "elefantes brancos", ou seja, não tenham nenhuma utilidade após a Copa.
Segundo Alvaro Dias, nenhum estádio brasileiro atende a exigência da Fifa de contar com tribunas de imprensa, assentos numerados, vestiários para atletas, árbitros e gandulas e área próxima para a concentração de torcedores, além de estar localizado próximo a estacionamento e hospitais. No setor de transportes, o sistema aeroportuário está operando acima de sua capacidade.
- Apesar de estudos realizados por órgãos do próprio governo, como divulgado no fim de maio pelo Ipea [Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada], apontarem que o setor aéreo brasileiro poderá entrar em colapso se não houver investimentos urgentes nos aeroportos, as obras ainda caminham a passos lentos - afirmou Alvaro Dias.
O senador pelo Paraná também revelou que o estudo "Portos Brasileiros: Diagnóstico, Políticas e Perspectivas", do IPEA, concluiu que o Brasil tem cinco anos para evitar um apagão logístico caso cresça em um patamar entre 4% a 5% ao ano. Para complicar, complementou Alvaro Dias, os investimentos para a área portuária correm o risco de não serem suficientes para as 265 obras avaliadas como "gargalos".
Fonte: Agência Senado (24/08/2010)
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