Brasília - Em ano de eleição, a bancada paranaense aumentou a participação em postos-chave no Senado e Câmara dos Deputados. Três comissões permanentes e três lideranças partidárias são ocupadas por representantes do estado. Os cargos têm importância na discussão de propostas e na condução de votações.
No Senado, Alvaro Dias assume em maio a liderança do PSDB. O irmão, Osmar, é líder do PDT desde 2008. "Ser líder de um partido grande é expressivo porque você ganha um peso enorme nas decisões, entra no jogo para definir como e quando as principais votações ocorrem", conta Alvaro.
O tucano explica que terá de atuar como uma espécie de caixa de ressonância do partido na campanha presidencial. O líder, por exemplo, tem preferência para discursar em plenário sobre o assunto que quiser. O papel será muito importante no jogo eleitoral, especialmente nos próximos três meses, quando o provável candidato do PSDB, José Serra, terá de se licenciar do governo de São Paulo e ao mesmo tempo não poderá fazer campanha formal.
"Será um espaço para expor as ideias do nosso partido e da nossa candidatura", complementa Alvaro. Do outro lado, ele enfrentará um curioso duelo com Osmar. O pedetista, que pretende concorrer ao Palácio Iguaçu, integra a base governista e deve apoiar a candidata do PT, Dilma Rousseff.
Deputados
Na Câmara, o deputado Gustavo Fruet (PSDB) ocupará uma função parecida. Ele foi escolhido na semana passada líder da minoria, bloco composto por PSDB, DEM e PPS. Nos próximos meses, negociará votações de matérias polêmicas, como o projeto de lei que legaliza os bingos e a proposta de emenda constitucional que cria o piso salarial nacional dos policiais e bombeiros militares.
O principal avanço dos 30 deputados paranaenses, entretanto, foi no comando de comissões permanentes. Abelardo Lupion (DEM) foi escolhido para presidir a Comissão de Agricultura; Alex Canziani (PTB), a do Trabalho; e Angelo Vanhoni (PT), a de Educação e Cultura. Com isso, o Paraná tornou-se o estado mais representado entre as 20 comissões - ao lado de São Paulo e Rio Grande do Sul.
Ao longo da atual legislatura, que começou em 2003, os paranaenses só haviam ocupado a presidência de comissões em outras duas oportunidades. Eduardo Sciarra (DEM) foi presidente da Comissão de Desenvolvimento Urbano e Cézar Silvestri (PPS), da Comissão de Defesa do Consumidor.
"Se levarmos em consideração o número total de comissões e o tamanho da nossa bancada em relação às outras, é uma evolução significativa", afirma Canziani. Coordenador da bancada paranaense no Congresso, o petebista está no terceiro mandato e só agora conseguiu ser escolhido para presidir uma comissão. A demora na escalada se deve à concorrência interna nos partidos.
Ao contrário de Canziani, Vanhoni está no primeiro mandato. A missão dele na comissão será complexa - costurar a redação e a votação do plano decenal de educação. O projeto prevê as metas brasileiras para o setor nos próximos dez anos e precisa ser aprovado pela Câmara e pelo Senado em 2010.
Na parte de cultura, a comissão centralizará as discussões sobre a reforma da Lei Rouanet (que trata de incentivos para a área) e da proposta que trata do investimento obrigatório de 2% do orçamento anual da União para a Cultura. "É relevante para o estado ter um paranaense com voz nessas discussões", afirma Vanhoni.
Tanto na Câmara quanto no Senado, os cargos são divididos anualmente por critérios de representatividade das legendas - quem tem mais parlamentares fica com mais e melhores comissões. Depois, os presidentes são escolhidos dentro dos partidos, que adotam seus critérios particulares e nem sempre técnicos.
A disputa é tão acirrada que o senador Flávio Arns (PSDB) trava uma batalha de bastidores para manter-se na presidência da Comissão de Educação. Ele foi escolhido para o cargo enquanto ainda estava no PT (ele trocou de partido no ano passado). Desde a mudança, os petistas requerem a vaga e Arns está afastado do cargo há seis meses. Provisoriamente, quem preside a comissão é Marisa Serrano (PSDB-MS).
Fonte: Gazeta do Povo (14/03/2010)
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