O deputado Joaquim Beltrão (PMDB-AL), relator na Câmara de um projeto de lei que determina que as crianças
ingressem no ensino fundamental aos 5 anos de idade, e não aos 6 anos, como ocorre atualmente, disse que apresentará
um substitutivo à proposta. Educadores, especialistas em desenvolvimento infantil e o próprio Ministério
da Educação (MEC) são contrários à antecipação e manifestaram a posição
hoje (20) em audiência pública na Comissão de Educação e Cultura da Câmara.
Em
seu substitutivo, Beltrão irá estabelecer a idade de entrada aos 6 anos. Mas não deixou claro se vai
estabelecer uma data limite para a matrícula das crianças. O Conselho Nacional de Educação (CNE)
emitiu parecer em dezembro de 2009 para que a data de corte seja 31 de março, ou seja, para serem matriculadas no ensino
fundamental as crianças precisam completar 6 anos até esta data. Mas as decisões do colegiado não
têm força de lei.
O projeto para incluir crianças de 5 anos ensino fundamental já foi aprovado
no Senado e é de autoria do senador Flávio Arns (PSDB-PR). Ele não compareceu hoje à audiência,
mas enviou ofício à Comissão de Educação, que analisa a proposta, sugerindo alterações
no texto para que o ingresso dos alunos se dê "no ano em que completarem 6 anos de idade".
Para as entidades
e alguns deputados que participaram da audiência pública, a sugestão de mudança no texto é
insuficiente porque ainda permite incluir no ensino fundamental crianças de 5 anos que completem 6 durante o ano letivo.
O
presidente da comissão, deputado Angelo Vanhoni (PT-PR), disse que a mudança sugerida por Arns não atende
às reivindicações de entidades da sociedade civil, mas sinaliza uma "disposição" do senador
para a negociação. Ele acredita que a partir do posicionamento que foi dado hoje pelo relator, o substitutivo
pode ser votado em duas semanas pela comissão. Em função das alterações, o texto deverá
voltar para apreciação do Senado.
Fonte: Jornal do Estado (20/05/10)
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