Associações estudantis e de trabalho e entidades de classe promoveram no sábado (29), no Centro de Curitiba, uma manifestação contra os casos de corrupção e desvio de dinheiro público na Assembleia Legislativa. Os manifestantes instalaram tendas na Boca Maldita e um painel que exibe o posicionamento de cada um dos deputados quanto aos casos denunciados pela série Diários Secretos, da RPC-TV e da Gazeta do Povo, e o afastamento da mesa diretora da Casa de Lei.
"Não podemos deixar que a população não saiba como seu deputado está se posicionando diante de todos esses casos de corrupção", disse, em entrevista ao telejornal ParanáTV, da RPC-TV, Marcelo Urbaneja, presidente da Associação Geral dos Trabalhadores (UGT), entidade que representa cerca de um milhão de trabalhadores no estado.
Segundo o comando do protesto, mais de 150 sindicatos do Paraná aderiram à iniciativa. O painel passará pelas principais cidades do estado, acompanhado do movimento de esclarecimento da população. Segundo Urbaneja, alguns deputados já mudaram seu posicionamento por causa do painel.
Abaixo-assinado
Ao longo da manifestação, pessoas que estiverem passando pelo Centro de Curitiba poderão aderir ao movimento "O Paraná que Queremos", campanha apoiada por diversas entidades paranaenses, como a Ordem dos Advogados do Brasil no Paraná (OAB-PR) e o Movimento Pró-Paraná.
Até a quinta-feira (27), cerca de três mil pessoas já tinham aderido ao movimento. Para fazer parte da campanha, basta acessar o site site da campanha, informando nome e RG.
Desvios
Segundo estimativas do Gaeco, o desvio de dinheiro na Casa de Leis ultrapassa R$ 100 milhões. As investigações já comprovaram que cerca de R$ 26 milhões foram desviados.
As denúncias mostraram como o ex-diretor geral da Assembleia, Abib Miguel, estabeleceu uma rede de influências composta por parentes e apadrinhados políticos, com o objetivo de usar dinheiro público. Foram constatadas diversas irregularidades, dentre as quais a inclusão na lista de funcionários que nunca trabalharam na assembleia. Depois de ter pedidos de habeas corpus negados pela Justiça, Miguel continua preso.
No dia 18 de maio, o Ministério Público do Paraná (MP-PR) denunciou 13 pessoas por causa do esquema de contratação de funcionários fantasmas e desvio de dinheiro público na Assembleia Legislativa do Paraná.
Entre os denunciados estavam Abib Miguel, José Ary Nassiff (ex-diretor de Administração) e Cláudio Marques da Silva (ex-diretor de Pessoal). Eles já tinham sido denunciados pelo MP em 4 de maio por desvio de dinheiro público, formação de quadrilha, lavagem de dinheiro e falsidade ideológica. O funcionário João Leal de Mattos também foi denunciado em 4 de maio pelos referidos crimes.
Na primeira denúncia do MP-PR, Abib Miguel e João Leal de Mattos foram denunciados por cometerem 1.182 vezes o crime de peculato (desvio de dinheiro público). Com relação a denúncia desta terça-feira (18), Abib Miguel e Daor Afonso Marins de Oliveira foram denunciados 894 vezes pelo crime de peculato.
Fonte: Gazeta do Povo (29/05/2010)
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