A bancada do PMDB na Assembleia Legislativa se reuniu em jantar na noite de terça-feira (22), na casa do líder do partido, deputado Caito Quintana, e decidiu que quer assumir de vez o comando da legenda, até então exercido com "mão de ferro" pelo ex-governador e agora senador Roberto Requião. A intenção é reforçar o PMDB nos municípios mais populosos do Estado, onde a sigla tem apresentado desempenho negativo nas últimas eleições. E a mudança deve começar pelo Diretório Municipal do PMDB em Curitiba, presidido hoje por Doático Santos, homem de confiança de Requião.
A tendência é que do diretório seja dissolvido, e um parlamentar assuma a presidência de uma comissão provisória na Capital. Hoje, o PMDB curitibano está dividido entre o grupo de Requião, que ensaia apoiar a reeleição do atual prefeito, Luciano Ducci (PSB), e uma ala formada pela maioria dos deputados estaduais e federais, que sonha em atrair o ex-deputado federal Gustavo Fruet (PSDB), oferecendo a ele a vaga de candidato à prefeitura em 2012. Esse segundo grupo também avalia que se o retorno de Fruet não se confirmar, seria melhor lançar candidato próprio, já que não haveria espaço para o PMDB na aliança de Ducci.
"É preciso dar uma chacoalhada no PMDB. É natural depois de um processo eleitoral como o que enfrentamos, o partido fique um pouco perdido, sem referência", explica o deputado Artagão Jr (PMDB), que participou do jantar. Um dos desafios, afirma ele, é promover a união das principais lideranças, em especial de Requião e do ex-governador Orlando Pessuti, rompidos desde o início da campanha de 2010.
Outro é identificar ou atrair potenciais candidatos a prefeito nas principais cidades do Estado. "Curitiba é uma das cidades que preocupa a bancada e o partido. Nossos resultados eleitorais aqui foram pouco representativos", confirma Artagão, apontando que esse enfraquecimento na Capital acaba refletindo também no interior.
Candidato declarado à direção municipal do PMDB curitibano, o deputado Reinhold Stephanes Júnior reafirmou hoje que se assumir o cargo, tentará atrair Fruet com a oferta de candidato a prefeito pelo partido. Segundo ele, o retorno do ex-deputado mudaria totalmente o quadro do cenário eleitoral na Capital, colocando o PMDB em condições de igualdade na disputa pela prefeitura. Caso isso não dê certo, Stephaner Júnior disputaria a indicação de candidato a prefeito.
Representante do grupo de Requião, o deputado Alexandre Curi, porém, tem outra visão da situação. Ele já afirmou não ver empecilho para o apoio do partido à reeleição de Ducci, lembrando que o prefeito curitibano apoiou a reeleição de Requião em 2006, e que no plano nacional, o PSB integra a base do governo Dilma Rousseff, assim como o PMDB. Segundo ele, a presidência do partido em Curitiba não deve ficar nas mãos de quem quer disputar a prefeitura no ano que vem. "Ninguém mais vai usar o PMDB em benefício próprio. Quem quer ser candidato a prefeito não pode ter cargo de presidente do partido. Tem que conduzir o partido para que tenha a melhor opção", alega.
Fonte: Jornal do Estado (23/02/2011)
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