22/02/2011

Governo consegue aprovar o salário mínimo de R$ 545

Com folga, a base de Dilma na Câmara conseguiu barrar duas emendas da oposição que elevariam o valor do piso para R$ 600 e R$ 560, respectivamente

A presidente Dilma Rousseff (PT) obteve sua primeira grande vitória na Câmara dos Deputados. Conseguiu aprovar o projeto de lei que fixa o salário mínimo deste ano em R$ 545. Com folga, também barrou as duas emendas da oposição que elevariam o piso, respectivamente, para R$ 600 e R$ 560. A emenda que aumentaria o mínimo para R$ 600, apresentada pelo PSDB, teve 376 votos contrários e 116 a favor. O destaque dos R$ 560, valor defendido pelas centrais sindicais e proposto oficialmente na Câmara pelo DEM, foi barrado por 361 votos governistas contra 120.

As duas emendas foram votadas após a aprovação, em votação simbólica, do texto-base do projeto, que fixava o valor em R$ 545. Nenhum partido apresentou objeção a esse reajuste inicial, já que, se não fosse aprovado, o piso voltaria aos R$ 510 pagos até o ano passado. A estratégia da oposição, que não funcionou, era elevar o piso por meio das emendas.

A votação demonstrou a capacidade de Dilma em articular uma base heterogênea e de conter deputados dissidentes. A pressão do Planalto para conter os governistas que queriam votar por um aumento maior do que os R$ 545 funcionou - principalmente no caso do PDT, partido que havia assinado, conjuntamente com o DEM, a emenda para aumentar o piso para R$ 560.

O governo ameaçou demitir o ministro do Trabalho, o pedetista Car­­­los Lupi, para demover os 27 deputados do partido da ideia do reajuste maior. O PDT, que tinha indicado que fecharia questão pela aprovação de um mínimo maior, no meio da tarde decidiu que a bancada estava liberada para votar como quisesse, inclusive a favor do governo. Depois, o partido retirou a assinatura da emenda que patrocinou conjuntamente com o DEM pelo reajuste de R$ 560.

Já na votação da emenda de R$ 600, 20 dos 27 deputados pedetistas votaram contra esse aumento maior do mínimo. Houve apenas dois votos favoráveis. O restante fo­­­ram abstenções (2) e deputados au­­­sentes (2). Na apreciação da emenda de R$ 560, 16 pedetistas foram contrários e apenas 9, favoráveis. Houve ainda uma abstenção e uma falta.

O resultado acabou sendo uma derrota pessoal do deputado Paulo Pereira da Silva (PDT), presidente da Força Sindical e um dos maiores articuladores da proposta de elevação do mínimo acima de R$ 545.

Para a aprovação dos R$ 545 o Planalto ainda ameaçou deputados da base de todas as legendas a não verem liberados nenhum centavo de suas emendas parlamentares ao orçamento da União deste ano. Na semana passada, o governo anunciou o corte de R$ 18 bilhões dos R$ 21 bilhões de emendas previstos para 2011. Mas, ao não informar quais seriam os projetos com dinheiro bloqueado, a base ficou na dúvida se suas emendas estariam nos R$ 3 bilhões que sobraram. E o medo era de que aquele que votasse por um piso maior teria sua verba bloqueda na integralidade.

Política de valorização

Juntamente com o valor do novo piso, os deputados aprovaram ontem a política de valorização do salário mínimo até 2015. Nos próximos quatro anos, o salário mínimo será sempre reajustado com base na regra de aplicação da inflação mais o índice de crescimento da economia de dois anos antes. Por essa regra, o mínimo em 2012 deve ser de R$ 616. O novo valor e política de valorização do piso ainda terão de passar por votação no Senado, que deve ocorrer no dia 23 de fevereiro.

Desde 1.º de janeiro, o mínimo é de R$ 540 - em 2010 era R$ 510. Os R$ 540 foram estipulados por medida provisória. O novo valor não vai retroagir para janeiro. Ainda não se sabe, porém, em que mês serão pagos os R$ 545, pois isso dependerá da aprovação final da proposta.

Como votaram os deputados paranaenses

Deputado

Partido

A favor da emenda dos R$ 600

A favor da emenda dos R$ 560

Abelardo Lupion

DEM

Sim

Sim

Alex Canziani

PTB

Não

Não

Alfredo Kaefer

PSDB

Não votou

Sim

André Vargas

PT

Não

Não

André Zacharow

PMDB

Não

Não

Angelo Vanhoni

PT

Não

Não

Assis do Couto

PT

Não

Não

Cida Borghetti

PP

Não

Não

Dilceu Sperafico

PP

Não

Não

Dr. Rosinha

PT

Não

Não

Edmar Arruda

PSC

Não

Não

Eduardo Sciarra

DEM

Sim

Sim

Fernando Francischini

PSDB

Sim

Sim

Giacobo

PR

Não

Não

Hermes Parcianello

PMDB

Não

Não

João Arruda

PMDB

Não

Não

Leopoldo Meyer

PSB

Não

Não

Luiz Carlos Setim

DEM

Sim

Sim

Luiz Nishimori

PSDB

Sim

Sim

Moacir Micheletto

PMDB

Não

Não

Nelson Meurer

PP

Não

Não

Nelson Padovani

PSC

Não

Não

Osmar Serraglio

PMDB

Não

Não

Ratinho Junior

PSC

Não

Não

Reinhold Stephanes

PMDB

Não

Não

Rosane Ferreira

PV

Não

Abstenção

Rubens Bueno

PPS

Sim

Sim

Sandro Alex

PPS

Abstenção

Sim

Takayama

PSC

Não

Não

Zeca Dirceu

PT

Não

Não

 

Fonte: Gazeta do Povo (17/02/2011)

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