A eleição para a Mesa Executiva da Assembleia Legislativa, marcada para 1º de fevereiro próximo, e que já vinha sendo dada como decidida, pode trazer surpresas inesperadas para o governo Beto Richa. Fontes do Jornal do Estado informaram que um grupo de parlamentares insatisfeitos com a composição formada em torno do presidente estadual do PSDB e candidato único do governo à presidência da Casa, deputado Valdir Rossoni, estaria se preparando para montar uma chapa alternativa e ir para a disputa.
O "porta-voz" do grupo seria o deputado estadual e ex-secretário do Trabalho, Nelson Garcia (PSDB). Ele já teria inclusive comunicado pessoalmente ao governador Beto Richa a intenção de articular uma nova chapa. Por trás da iniciativa estaria a insatisfação de aliados do governo com os rumos dados à eleição para o comando do Legislativo, entre eles, o ex-presidente da Assembleia e atual presidente do Tribunal de Contas, Hermas Brandão.
Desafeto de Rossoni desde que foi impedido de ser candidato a vice-governador na chapa de Roberto Requião (PMDB) na eleição de 2006, Brandão apoiava a candidatura do deputado Durval Amaral (DEM) à presidência da Casa. Amaral saiu da disputa a pedido do governador, e em troca foi nomeado chefe da Casa Civil.
O presidente do TC também teria ficado contrariado com a nomeação do ex-líder do governo Requião, deputado Luiz Cláudio Romanelli (PMDB), como secretário do Trabalho. O grupo reuniria ainda outros insatisfeitos com a chapa montada por Rossoni, o que incluiria parlamentares da bancada do PMDB e de outros partidos da base governista.
Além do dirigente tucano, a chapa única articulada até agora inclui os deputados Artagão Jr (PMDB) como 1º vice-presidente; Augustinho Zucchi (PDT) como 2º vice; Douglas Fabrício (PPS) como 3º vice; Plauto Miró Guimarães (DEM) como 1º secretário; Reni Pereira (PSB) na 2ª secretaria; Stephanes Júnior (PMDB) na 3ª secretaria; Ney Leprevost (PP) na 4ª secretaria; e Fábio Camargo (PTB), na 5ª secretaria. O acordo incluiria ainda a indicação do atual presidente da Assembleia, deputado Nelson Justus (DEM), para a presidência da Comissão de Constituição e Justiça, a mais importante da Casa.
Destaque - A eleição para o comando da Assembleia nesta nova Legislatura adquiriu ainda mais destaque político em virtude da crise vivida pela Casa no ano passado. Denúncias de desvio de salários de funcionários "fantasmas" derrubaram diretores do Legislativo, entre eles o ex-diretor-geral Abib Miguel, acusado pelo Ministério Público de comandar um esquema que teria provocado um rombo de mais de R$ 100 milhões nos cofres do órgão. As denúncias levaram a direção da Casa a promover uma série de mudanças internas nas regras para contratação de pessoal, como a redução do número de cargos por gabinetes, entre outras.
Candidato único da futura base governista até agora, Rossoni tem prometido avançar nas medidas de transparência e nas mudanças administrativas, sem entretanto, dar detalhes de seus planos. Outras medidas reivindicadas por setores da Casa, entre eles a bancada do PT, como o fim da reeleição para a Mesa Executiva na mesma Legislatura.
Fonte: Jornal do Estado (06/01/2011)
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