No último dia de trabalho antes do recesso, a Assembleia Legislativa decidiu adiar para agosto a votação
de proposta do governo que prevê anistia para empresas devedoras do Imposto sobre Circulação de Mercadorias
e Serviços (ICMS). O projeto recebeu críticas tanto da base governista quanto de oposição, por
envolver renúncia fiscal às vésperas da eleição e do fim do mandato do atual governo, além
de permitir o pagamento de dívidas com o ICMS com o uso de precatórios. Os deputados encerraram ontem as sessões
e só retomam os trabalhos em 2 de agosto.
O projeto prevê que as empresas que tem dívidas com
o Fisco Estadual inscritas até 31 de dezembro de 2009, possam quitar seus débitos com desconto de até
100% de multas, juros e correção monetária, em parcela única. Ou em até 60 parcelas mensais,
com desconto de 80% desses encargos. E ainda em até 120 parcelas com 60% de desconto de multas e juros.
O ponto
mais polêmico, porém, é o que prevê que "os créditos parcelados (...) poderão ser
amortizados mediante a compensação com precatórios". Os beneficiados poderiam abater até 80% de
suas dívidas dessa forma.
Precatórios são dívidas do Estado com pessoas físicas e jurídicas já reconhecidas
pela Justiça. Muitos dos credores do Estado - pela demora e dificuldade em receber esses créditos - acabam repassando-os
a terceiros com deságio. Caso a proposta do governo seja aprovada, empresas em dívida com o Fisco poderão
comprar precatórios com deságio - que em alguns casos chegam a 80% do valor de face. E pagar as dívidas
com o ICMS pelo valor integral dos precatórios. Com isso, na prática o governo só receberia 20% em dinheiro.
O governo não informou na proposta, qual o montante de dívidas que estaria apta a requerer o benefício.
O valor total de dívidas de credores da Receita Estadual é de R$ 11,4 bilhões, mas esse montante inclui
não só o ICMS.
O projeto estava parado na Comissão de Constituição e Justiça
(CCJ) da Assembleia, por falta de acordo para colocá-lo em votação. Na terça-feira, na tentativa
de evitar que a proposta ficasse na gaveta até depois do recesso, o líder da bancada governista, deputado Caito
Quintana (PMDB), pediu sua inclusão na pauta da ordem do dia de ontem, mesmo sem parecer da CCJ.
A iniciativa
provocou a reação de parlamentares tanto da base do governo quanto de oposição, que articularam
a apresentação de um requerimento para adiar a votação da proposta por dez sessões. "Não
podemos votar esse projeto sem saber, de fato, quem ele irá beneficiar", argumentou o deputado Douglas Fabrício
(PPS), lembrando ainda que o projeto veio à tona as vésperas da eleição de outubro e do fim do
atual governo. "Alguém está ganhando com isso. Tenho certeza que o eleitor não é", disse.
"Não
sabemos qual o valor da dívida com o ICMS. Causa estranheza fazer isso no final do mandato, permitindo que seja pago
com precatórios, porque não entra dinheiro no Caixa do Estado", reforçou o líder da oposição,
deputado Élio Rusch (DEM). Rusch apontou ainda que a proposta é inconstitucional, já que prevê
o perdão de multas aplicadas por dolo, o que é proibido pelo Código Tributário Brasileiro.
"O sensato é postergar para o próximo ano. Seria conveniente o governo repensar a oportunidade desta mensagem.
Não dá para aceitar o perdão de R$ 3 bilhões em véspera de eleição", concordou
o deputado governista Rafael Greca (PMDB).
Praxe - O líder do governo alegou que esse tipo
de anistia vem sendo feita em todas as administrações estaduais, pois é uma forma do Estado receber dívidas
que de outra forma não conseguiria. Além disso, afirma Quintana, com a compensação por precatórios,
o Estado garantiria o recebimento de 20% dos créditos em dinheiro.
O peemedebista também lembrou que
o Estado tem hoje uma dívida acumulada com precatórios de R$ 7 bilhões. E que a nova legislação
federal prevê o pagamento de pelo menos 2% do total dessas dívidas ao ano, o que representaria hoje R$ 360 milhões.
Mesmo assim, Quintana - sentindo a divisão da própria base governista - retirou o pedido de votação
em regime de urgência da proposta. "Acho que tem que ser melhor discutido", admitiu.
Fonte: Gazeta do Povo (17/07/2010)
Nem a Rede de Participação Política, nem as instituições que a apoiam - como a FIEP e a FACIAP - se responsabilizam pelas opiniões políticas emitidas livremente pelos leitores e usuários deste Sistema de Monitoramento e Avaliação dos Eleitos. Entretanto, mensagens grosseiras ou ofensivas serão removidas pelos administradores do Sistema, tão logo forem constatadas. Também não serão admitidas acusações desprovidas de fundamento, sobretudo de caráter pessoal, ou que caracterizem luta política organizada contra um representante eleito, e, ainda, postagens que possam configurar calúnia, injúria ou difamação. Os pesquisadores da UFPR que alimentam o Sistema (clique aqui para ver explicação mais detalhada) não são fontes de notícias, não inventam notícias, nem emitem quaisquer opiniões: apenas recolhem e classificam o que foi publicado em um conjunto restrito de órgãos de imprensa previamente considerados.
Envie para um amigo