21/03/2011

Deputados querem tomar de Requião o comando

E a primeira medida nesse sentido seria a reformulação do Diretório Municipal de Curitiba, presidido há dez anos por Doático Santos.

Menos de um ano depois do fim do governo Roberto Requião, os deputados estaduais do PMDB preparam uma operação para tomar do ex-governador e senador o comando do partido no Paraná. E a primeira medida nesse sentido seria a reformulação do Diretório Municipal do PMDB de Curitiba, presidido há dez anos por Doático Santos, fiel escudeiro de Requião. Paralelamente a isso, os parlamentares peemedebistas articulam também uma aproximação com o governo Beto Richa (PSDB).

Nos oito anos em que esteve no poder, Requião controlou com "mão de ferro" o PMDB, impondo sua vontade graças a "caneta" de governador, que lhe permitia garantir o mando no partido graças aos cargos e verbas do Estado. Desde que deixou o cargo para disputar o Senado, em abril de 2010, porém, o partido vive um "racha", com Requião de um lado, e o ex-governador Orlando Pessuti de outro. No meio, os deputados estaduais, que agora, mais preocupados com a própria sobrevivência política, se articulam para assumir o poder na legenda.

O presidente estadual do PMDB, deputado Waldyr Pugliesi, enviou ontem ofício ao presidente nacional do partido, senador Valdir Raupp (RO), pedindo autorização para antecipar as convenções municipais no Estado. A intenção é promover as convenções municipais no próximo dia 17 de julho de 2011. A ideia é abrir caminho para a filiação de novas lideranças para as eleições municipais de 2012.

Em Curitiba, por exemplo, a Executiva ameaça dissolver o atual diretório para destituir Doático e o grupo de Requião, com o objetivo de atrair o ex-deputado federal Gustavo Fruet (PSDB). Sem espaço no PSDB, Fruet retornaria ao PMDB com a garantia da candidatura à prefeitura de Curitiba. Seu retorno, porém, sofre a resistência do grupo de Requião, que já acenou com o desejo de apoiar a reeleição do atual prefeito, Luciano Ducci (PSB).

Pugliesi argumenta que a antecipação das convenções municipais é necessária porque quem quiser se filiar ao partido para concorrer à eleição do ano que vem tem que fazê-lo até o final de setembro. "Como é que o Gustavo vem para o partido sabendo que tem uma direção hostil à candidatura dele?", diz o dirigente.

Os parlamentares deixam claro, ainda, que não aceitarão mais imposições nas decisões partidárias, como acontecia durante o governo Requião. "O PMDB tem que ter uma estrutura que abrigue todas as correntes, sem que uma prevaleça sobre a outra. Uma Executiva que faça o fortalecimento do partido, mas sem dono", explica o deputado Caito Quintana. "Precisamos nos organizar para ganhar eleições. O partido não vive mais em cima de pessoas", argumenta, lembrando que o PMDB tem tido péssimo desempenho eleitoral nos municípios mais populosos, nas últimas eleições. Quintana lembrou ainda que os deputados têm maioria entre os delegados do partido, que são quem elegem as direções partidárias.

"Nós queremos assumir o comando do partido. Não dá para o Doático ficar comandando o partido para fazer o que o Requião quer", afirma o deputado Nereu Moura. "O ideal é usar o entendimento. Mas se não for por bem, vai por mal", avisa.

Fonte: Jornal do Estado (16/03/2011)

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