Explicar o retorno ao ninho tucano, depois de oito anos no PT. Esse será o principal desafio do senador Flávio Arns (PSDB) na campanha de vice-governador na chapa encabeçada pelo ex-prefeito de Curitiba, Beto Richa (PSDB). Depois de deixar o PSDB em 2001 - um ano antes da eleição que o levou ao Senado - para se filiar aos quadros petistas, Arns fez o caminho inverso no ano passado. Contrariado com as posições ideológicas do partido, que insistiu em defender o presidente do Senado, José Sarney (PMDB/AP), das denúncias de corrupção, Arns optou em setembro de 2008 por contrariar a regra da fidelidade partidária, mesmo sabendo que isso poderia lhe custar o mandato. O fato de ter sua candidatura a reeleição preterida no PT em detrimento ao projeto de Gleisi Hoffmann (PT) também pesou na decisão.
No PSDB, também não encontrou espaço para disputar a permanência no Senado, por conta da aliança firmada com o PP para fortalecer a candidatura de Richa. Por conta de sua ligação com a Pastoral da Criança, Associações dos Pais e Deficientes dos Excepcionais (APAE) - enfim com as causas dos menos favorecidos - Arns acabou sendo indicado candidato a vice-governador.
A experiência em eleições majoritárias também pesou. Em 2006, ainda no PT, o senador foi candidato a governador. Encerrou a disputa em terceiro lugar, com 506.825 votos - (9,35%).
Apesar de já ter disputado o Governo do estado, o senhor nunca exerceu mandato no Poder Executivo. Essa falta de experiência administrativa será um obstáculo a ser vencido caso seja eleito?
Flávio Arns - Penso que não. Nosso candidato a governador tem grande experiência administrativa. O fundamental é ter princípios na administração. Princípio do diálogo com a sociedade sobre as questões econômicas, ambientais, de saúde, de segurança. Enfim, todos os setores administrativos. Também é muito importante ter uma equipe qualificada e boas propostas. Com esse conjunto, é possível fazer uma grande administração.
De que forma a forte ligação que tem com os movimentos sociais poderá ajudar no desempenho da função de vice-governador? Poderia comandar alguma secretaria?
Flávio Arns - Sempre tive boa relação com os administradores municipais. Sou um municipalista. Mas minha trajetória também está diretamente ligada ao terceiro setor, as causas dos deficientes e dos menos favorecidos. Sob a coordenação do Beto Richa, vou fazer um chamamento de diálogo para esta área. Posso colaborar fazendo uma interligação entre as diversas secretarias. Isso falta na administração. As ações em diferentes áreas devem caminhar juntas para resolver questões como as drogas, a educação, a falta de segurança.
Fonte: Jornal do Estado (18/07/2010)
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