Apenas Rossoni e Ademar Traiano se abstiveram. Miltinho Puppio, Luiz Nishimori e Luiz Fernandes Litro votaram com o candidato
do governador. Outros deputados que normalmente votam com o bloco oposicionista, como Augustinho Zucchi, Geraldo Cartário
também votaram em Maurício.
Oposição aposta na Justiça para derrubar indicação de irmão de governador ao
TC
O bloco espera agora o julgamento do mérito das ações impetradas nos últimos dias
Com o resultado definido antes mesmo de começar a eleição, restou para a bancada de oposição
protestar e apostar em novas
ações
na
Justiça
como forma de derrubar a indicação do irmão do governador, Maurício Requião, para conselheiro
do Tribunal de Contas. Segundo o líder da bancada oposicionista, deputado Valdir Rossoni (PSDB), o bloco espera agora
o
julgamento
do mérito das ações impetradas nos últimos dias, que contestam a legalidade da indicação
do secretário para o cargo.
Durante a sessão de ontem, o tucano voltou a questionar o edital de convocação da eleição,
e a apontar o fato de que pela Lei Orgânica do TC, Maurício estará impedido de atuar como conselheiro
pelo menos até 2.014 - ou quatro anos depois que o governador Requião deixar o cargo. O argumento é baseado
no artigo 140 da lei segundo o qual os conselheiros estão proibidos de julgar contas de parentes, e de municípios
onde esses parentes tenham tido 1% dos votos nas últimas eleições. "Essa emenda vale ou não
vale?", questionou Rossoni.
A oposição também entrou com uma Ação Direta de Inconstitucionalidade contra a emenda constitucional
número 17 que estabeleceu a votação aberta para a eleição de conselheiro do tribunal no
Estado. Segundo a avaliação dos deputados, caso a Adin seja aceita pelo Supremo Tribunal Federal, todos os atos
gerados pela lei serão considerados nulos, e portanto, mesmo depois de nomeado, o irmão do governador poderá
perder o cargo. "Essa questão ainda vai continuar sendo discutida na Justiça", previu o deputado Durval
Amaral (DEM)
Segundo Rossoni, a decisão de abter-se da votação ao invés de votar em outro candidato foi tomada
justamente porque a oposição considera que o processo estava viciado pela imposição do governador
na indicação de seu irmão. "Não queremos legitimar essa eleição, que no nosso
entender, está comprometida", afirma.
Racha - A própria oposição, porém, se dividiu na votação. No PSDB de Rossoni, por
exemplo, apenas ele e Ademar Traiano se abstiveram - Miltinho Puppio, Luiz Nishimori e Luiz Fernandes Litro - votaram com
o candidato do governador. Outros deputados que normalmente votam com o bloco oposicionista, como Augustinho Zucchi (PDT),
Geraldo Cartário (PDT) - ambos do partido do senador Osmar Dias - também votaram em Maurício. E foram
reforçados ainda pelo chamado bloco independente, formado por parlamentares de pequenos partidos como o PRB, PSB e
PV, que optou por o voto fechado no candidato do governador.
O PPS foi o único partido a fechar questão contra a indicação de Maurício. Mesmo assim,
sofreu uma defecção, com a ausência do deputado Felipe Lucas, que mesmo com o partido mantendo postura
de oposição, continua apoiando o governo. Ontem, Lucas preferiu não aparecer, para não correr
o risco de sofrer um processo de expulsão da legenda.
(IS)
Fonte: Jornal do Estado (09/07/08)
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