Dizem que a política é viciante como a cachaça. A história da bancada federal paranaense parece demonstrar a verdade disso. Um terço dos parlamentares (11 dos 33) perdeu a vaga em Brasília nas eleições de 2010 - seja por não ter disputado a vaga novamente, seja por ter sofrido derrota nas urnas. Desses, apenas dois deixaram seus mandatos no início de fevereiro sem a perspectiva de retornarem à política: Affonso Camargo (PSDB), que diz não ter mais interesse em disputar mandatos; e Alceni Guerra (DEM), que embora não se considere definitivamente aposentado aproveitou a chegada aos 65 anos para se retirar para a vida privada, sem nem mesmo tentar a reeleição em 2010.
Os demais (82%) querem continuar na política. Dois deles conseguiram cargos no primeiro escalão do governo Beto Richa. Cassio Taniguchi (DEM), que prefere o Executivo ao Parlamento, ficou com a vaga de secretário de Planejamento - cargo que já ocupou no primeiro governo de Jaime Lerner. E Ricardo Barros (PP), que perdeu a vaga ao tentar o Senado, assumiu a Secretaria de Indústria e Comércio.
E mesmo quem vai ficar um tempo sem cargo já está de olho nas próximas eleições. Alguns podem disputar um novo mandato dentro de dois anos. Gustavo Fruet (PSDB) e Wilson Picler (PDT), por exemplo, são considerados pré-candidatos à prefeitura de Curitiba. Outros só querem mesmo saber é do Congresso Nacional e decidiram esperar 2014 para tentar o retorno.
"Eu só devo tentar eleição de novo em 2014. O que me agrada mesmo é o Congresso. Realmente gostava de ter o mandato, de estudar os assuntos, participar do debate", afirma Marcelo Almeida (PMDB), que ficou como segundo suplente da sua coligação. Ele diz que cuidará de projetos pessoais durante os próximos anos, como um círculo de leitura que promove em algumas cidades.
Vários deputados dizem que vão aproveitar o período longe de Brasília para cuidar da família e dos negócios. É o caso de Odílio Balbinotti (PMDB), que também ficou na suplência. "Não vou ficar pedindo cargos. Isso é coisa de quem não tem o que fazer da vida, e eu tenho. Vou cuidar dos meus negócios", diz ele, que é fazendeiro no Paraná e em Mato Grosso.
Wilson Picler, dono do grupo educacional Uninter, é outro que pretende cuidar dos negócios. "Estive muito tempo longe do grupo. Gosto da vida acadêmica", afirma. O mesmo serve para Rodrigo Rocha Loures, que disputou o governo do estado como vice de Osmar Dias (PDT) e acabou ficando sem mandato. Com uma diferença. "Faço parte da Executiva do partido e continuarei exercendo essa função", diz ele, que também pensa em disputar eleições em breve.
Rocha Loures também faz parte de um outro grupo: o de ex-parlamentares do Paraná que ainda podem ser nomeados para cargos no governo de Dilma Rousseff. O senador Osmar Dias é outro nessa situação. Os rumores são de que Rocha Loures poderia ganhar um cargo na Caixa Econômica Federal e Osmar, no Banco do Brasil. Mas não há nada confirmado. Chico da Princesa (PR) também diz que terá reuniões sobre o assunto em breve.
Aposentados
Os dois paranaenses que deixam a política depois de 2011 alegam razões diferentes. Affonso Camargo, na vida pública desde os anos 50, disse que já estava se sentindo cansado e nem pensava em disputar a eleição de 2010. Acabou participando do pleito, mas disse estar "aliviado" por não ter sido eleito. "Sempre disse que a juíza urna diria a hora de eu parar", afirma.
Já Alceni Guerra diz que resolveu não tentar a reeleição porque precisava deixar de lado um pouco o mandato depois de décadas de vida pública. "Vou cuidar um pouco da minha vida", diz. Alceni afirma ter vendido participação em algumas das empresas da família para seus irmãos. Agora, pensa em montar uma empresa na área de tecnologia de informação. Cargos? "Juro que me escondi do Beto durante toda a montagem do governo", diz em tom de brincadeira. "Até posso dar palpite. Mas cargo, não quero."
Fonte: Gazeta do Povo (05/03/2011)
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