Notas Políticas - 13/03/2010

Requião quer segurança da PM após a renúncia

Projeto prevê que policiais militares farão escolta pessoal de peemedebista depois que ele deixar de ser governador.

Às vésperas de deixar o governo, o governador Roberto Requião (PMDB) pode ganhar de "presente" da Assembleia Legislativa o direito de contar com policiais militares para sua segurança pessoal mesmo fora do cargo. É o que prevê projeto de lei apresentado na semana passada com o apoio de quinze deputados, que aguarda parecer da Comissão de Constituição e Justiça (CCJ) antes de vir à plenário.

Pela proposta, os ex-governadores que tiverem cumprido pelo menos três anos no cargo teriam direto a segurança pessoal bancada pelo Estado. Segundo o texto, a escolta seria formada por quatro servidores e por um período de três anos após o término do mandato. O artigo 2º prevê ainda que o serviço ficaria a cargo de policiais militares indicados pelo próprio ex-governador.

Assinaram o projeto o líder do governo Requião na Assembleia, deputado Luiz Cláudio Romanelli (PMDB); o presidente da Casa, Nelson Justus (DEM), além dos deputados Nereu Moura (PMDB), Antonio Anibelli (PMDB), Jonas Guimarães (PMDB), Dobrandino da Silva (PMDB), Ademir Bier (PMDB), Miltinho Puppio (PSDB), Alexandre Curi (PMDB), Francisco Bührer (PSDB), Luiz Nishimori (PSDB) e Dr Batista (PMN).

Romanelli justificou a iniciativa alegando que Requião precisaria de segurança por conta das brigas que comprou durante os últimos anos no cargo. "O governador contrariou muitos interesses poderosos", alega o líder governista, apontando ainda que a atual administração teria confrontado quadrilhas organizadas e o tráfico de drogas.

Requião deve deixar o cargo até 3 de abril por força da legislação eleitoral, que exige a renúncia de quem ocupa cargos no Executivo e pretende disputar outro cargo até 180 dias antes do primeiro turno da eleição. O governador pretende disputar uma vaga no Senado nas eleições de outubro.

A proposta causou reação na bancada de oposição, para quem o Estado não tem obrigação de bancar a segurança particular do peemedebista fora do cargo. "Não tem sentido. Deveriam pôr segurança nas ruas para proteger o povo", criticou o líder da bancada do PSDB na Assembleia, deputado Ademar Traiano. O ex-líder da oposição, deputado Valdir Rossoni (PSDB), também ironizou a iniciativa. "Será que ele (Requião) fez tanto mal assim ao povo para precisar de segurança?", questionou.

Fonte: Jornal do Estado (08/03/2010)


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