O pedido agora será enviado para o Conselho de Ética da Assembleia, que nunca na história analisou
um pedido desse tipo. O conselho, formado por quatro deputados, escolherá um relator, que analisará os documentos
e dará um parecer. Em seguida, eles decidirão pelo arquivamento da denúncia ou por sua procedência.
Caso o pedido seja considerado procedente, irá a plenário. A cassação só acontecerá
com voto da maioria dos 54 deputados estaduais.
Os integrantes do Conselho de Ética dizem ainda não
ter conversado entre si sobre o assunto e admitem que a análise de um pedido deste gênero é novidade para
eles. "Nós vamos nos reunir ainda nesta semana para escolher um ou dois relatores. E depois, provavelmente, ele terá
15 dias para apresentar seu parecer para ser votado pelos membros da comissão", afirmou ontem o deputado Reinhold Stephanes
Júnior, do PMDB, um dos integrantes do conselho.
O presidente do conselho, deputado Pedro Ivo Ilkiv (PT), não
compareceu à sessão de ontem e não foi encontrado pela reportagem para comentar o assunto. Além
dele e de Stephanes Júnior, fazem parte da comissão os deputados Ademar Traiano (PSDB) e Luciana Rafagnin (PT).
Esta
será a primeira vez que o Conselho de Ética terá de julgar um pedido de cassação no Legislativo
paranaense. Em 2009, um pedido de perda de mandato por quebra de decoro parlamentar chegou a ser encaminhado contra o então
deputado Fernando Ribas Carli Filho, depois que o parlamentar se envolveu em um acidente que causou a morte de duas pessoas
em Curitiba. Carli renunciou ao mandato, porém, antes que o caso fosse analisado.
A inexperiência em analisar
esse tipo de assunto faz com que os deputados integrantes do Conselho de Ética ainda nem saibam exatamente como serão
os trâmites daqui por diante. "Não temos nenhuma experiência desse tipo. O presidente [do Conselho] deve
convocar os membros, mas ainda não fui informado de nada", afirmou Traiano. O deputado disse que, até hoje,
jamais foi convocado para uma decisão do conselho, embora faça parte dele. "O conselho não tem reuniões
regulares, só é chamado quando há alguma coisa desse gênero", diz.
Conduta incompatível
O
pedido de cassação de Justus e Curi foi decidido na sexta-feira em uma reunião da executiva estadual
do PV. A decisão foi unânime. A deputada Rosane Ferreira, integrante da executiva do PV e única representante
do partido na Assembleia, ressaltou que o pedido se baseia no Regimento Interno do Legislativo. O artigo 268 prevê que
qualquer partido com representação na Casa pode tomar essa iniciativa. A quebra de decoro está prevista
para qualquer caso de conduta que não seja compatível com o que é esperado, eticamente, de um parlamentar.
A deputada disse acreditar ser possível que o Conselho de Ética e o plenário aprovem as cassações.
"A Casa está entendendo que as condutas têm que ser maiores que o corporativismo", afirmou. Segundo ela, uma
possível fragilidade do pedido de cassação é o fato de ele ser baseado principalmente em notícias
de jornal, já que o partido ainda não teve acesso a documentos primários sobre a gestão da Casa.
Apesar
de fazer parte da executiva do PV e de ter apoiado o pedido de cassação de Justus e Curi, Rosane Ferreira procurou
desvincular a decisão do partido do que seria sua posição pessoal a respeito da atuação
de Justus e Curi à frente da Casa. "Acordamos previamente que o que fosse decidido pelo conjunto do partido teria caráter
de unanimidade. Por isso me submeto à decisão que foi tomada pelo PV", afirmou. "Mas não me cabe nem
o ônus nem o bônus dessa decisão."
A reportagem tentou contato com os deputados Nelson Justus e
Alexandre Curi para comentar o pedido de cassação. Nenhum dos dois, no entanto, retornou às ligações
até o fechamento desta edição.
Fonte: Gazeta do Povo - Rogerio Waldrigues
Galindo (08/06/2010)
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