Fiscais fazem mutirão florestal
Policiais federais, agentes do Ibama, do IAP e da Força Verde começam operação para evitar desmatamento de área importante no Sul do Paraná
Ponta Grossa - Pelo menos 145 locais onde há suspeita de prática de crime ambiental estão sendo vistoriados por uma megaoperação policial na região Sul do Paraná. A operação Angustifolia – referência ao nome científico do pinheiro Araucária – se concentra em 14 cidades paranaenses e conta com um efetivo de 223 agentes de seis estados brasileiros. Há agentes da Polícia Federal, do Instituto Brasileiro de Meio Ambiente e Recursos Naturais (Ibama), do Instituto Ambiental do Paraná (IAP) e da Força Verde da Polícia Militar. O foco do trabalho é verificar denúncias de desmatamento e outros delitos ambientais, mostrados numa série de reportagens publicada pela Gazeta do Povo em março.
A previsão é de que os trabalhos da força-tarefa, que podem ser expandidos para outras cidades da região, durem pelo menos duas semanas. Estão sendo usados 85 viaturas e um helicóptero nos trabalhos. A previsão inicial, informada pela coordenação da força-tarefa, de que o ministro do Meio Ambiente, Carlos Minc, sobrevoaria a área hoje e daria entrevista sobre o assunto, não se confirmou. Ainda durante esta semana é esperada a presença do ministro na região.
É de conhecimento dos integrantes da operação, informa a assessoria de imprensa, que muitos criminosos, cientes da presença policial, irão se esquivar nos próximos dias. Ontem mesmo os fiscais já encontraram caminhões vazios abandonados no meio do mato. A força-tarefa vai acabar identificando basicamente situações em que os crimes já estão caracterizados e não podem mais ser escondidos. É o caso de áreas em que existia mata nativa e hoje só restam tocos de árvores.
O superintendente estadual do Ibama, José Álvaro Carneiro, explica que a operação Angustifolia foi desencadeada em função de vários sobrevoos de helicóptero em que foram percebidos casos de desmatamento. “Temos um conjunto de evidências, mas precisamos ir a campo porque não basta identificar, do alto, que um crime está sendo cometido. É preciso ir até o local, ver as provas, saber quem está envolvido, de quem é a área e estabelecer nexo entre casos próximos”, diz.
Investigação
O deputado federal Luciano Pizzatto (DEM) pretende investigar todos os detalhes da operação Angustifolia no Paraná. Ele é o relator de uma Proposta de Fiscalização e Controle (PFC) – uma estrutura política constituída pela Câmara Federal – que, desde janeiro, avalia a ação de fiscais ambientais em várias partes do Brasil. “Estamos analisando se todos os preceitos legais são cumpridos e outros aspectos, como se as operações não são usadas como instrumento político”, conta.
Para o parlamentar, é preciso apurar se a educação ambiental precedeu o processo de repressão. “Não há como dizer que não há problemas ambientais no Sul do Paraná, mas só tem um jeito de resolver isso e é com a participação da sociedade”, argumenta Pizzato, acrescentando que ainda existem florestas na região porque o manejo das áreas foi adequado.
Para o prefeito de União da Vitória, Carlos Alberto Jung, a operação precisaria ter sido anunciada com antecedência. “Vieram sem avisar e sem comunicar as autoridades”, disse. Ele teme que a ação policial leve a cidade “à falência”. Toda a região seria dependente do setor madeireiro. “Queremos preservar e que venham nos orientar. A forma de abordagem tem que ser mais branda e educativa”, pede. Fabrício Antonio Moreira Neto, presidente do Sindicato da Madeira de União da Vitória, defende que não se deixe de levar em consideração o aspecto social. “Só sabemos lidar com madeira. Queremos que nos apresentem soluções”, afirma.
O superintendente do Ibama destaca que não há motivo para reclamações. Que os crimes, por serem afrontas à lei, devem ser coibidos e que quem nada deve não tem motivos para temer. “Reclamar da fiscalização não tem o menor sentido”, diz.
Fonte: Gazeta do Povo (26/05/2009)
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