06/07/2009

Tucanos fiéis a Requião deixam a base do governo

O PSDB decidiu cortar os laços com o governo Roberto Requião (PMDB). Os cinco deputados estaduais do PSDB que apoiam o governo na Assembleia Legislativa assumiram o compromisso com a direção estadual do partido de aderir ao bloco de oposição.

Já os dois integrantes da equipe de Requião, o secretário do Trabalho e Emprego, Nelson Garcia, e o presidente do Instituto de Tecnologia para o Desenvolvimento (Lactec), foram orientados a deixar seus cargos.

A decisão foi tomada nesta quarta-feira (1.º), em reunião entre os deputados estaduais e o presidente estadual do partido, Valdir Rossoni, que anunciou a nova posição como um ato de solidariedade ao prefeito de Curitiba, Beto Richa (PSDB), que está sendo acusado de fazer caixa 2 e comprar apoios na eleição do ano passado.

Para os tucanos, o PMDB e o governo fariam parte do que consideram uma "orquestração política" para atingir a imagem e a popularidade do prefeito de Curitiba, pré-candidato ao governo em 2010.

A gota d'água para os tucanos foi a entrevista da TV Educativa com o deputado estadual Fábio Camargo (PTB), nesta terça-feira (30), à noite, no programa de Carlos Moraes.

O programa já havia exibido as mesmas fitas mostradas pelo programa Fantástico, que deram origem às denúncias contra o prefeito, ao mostrar o repasse de recursos para ex-candidatos a vereador do PRTB, que abriram dissidência no partido para apoiar a reeleição de Beto.

Camargo era candidato a prefeito pelo PTB em aliança com o PRTB e, nesta terça-feira (30), na tribuna da Assembleia, acusou Beto de participação direta na operação. Rossoni disse que o partido estuda ingressar com ação judicial contra a direção da TV Educativa, o apresentador e Camargo.

"A maneira de os parlamentares mostrarem sua insatisfação com essa situação foi se afastar do governo", disse Rossoni, afirmando que a decisão partiu dos deputados do PSDB alinhados a Requião.

Já os dois tucanos no governo foram alertados que se continuarem no cargo poderão ter dificuldades para concorrer nas eleições do próximo ano. Garcia é deputado estadual licenciado e Malucelli suplente na Assembleia.

O deputado Luiz Accorsi, um dos integrantes do grupo dos cinco, chamados por Requião de "tucanos do bico vermelho", disse que eles são gratos ao governador, que os ajudou muito nestes anos fazendo obras e liberando recursos para os municípios de suas bases eleitorais, mas que a relação chegou num limite. "Não costumo virar o cocho. Mas somos partidários e jamais vamos deixar o Beto sozinho, nesta situação", afirmou.

O líder da bancada do PSDB, Ademar Traiano, afirmou que existem indícios do envolvimento do governo nas denúncias. Um dos motivos seria a atuação do Nurce (Núcleo de Repressão a Crimes Econômicos) da Polícia Civil na investigação da denúncia contra Beto.

"Por que o Oriente foi ao Nurce? De graça?", questionou o deputado, sobre a entrega das fitas gravadas no comitê dos ex-candidatos do PRTB por Rodrigo Oriente, o autor da denúncia contra Beto.

O presidente do Instituto de Tecnologia para o Desenvolvimento (Latec), Luiz Malucelli, disse nesta quarta-feira (1), que pretende ficar no cargo. Ele considerou "precipitada" a postura da direção do PSDB ao pedir que os dois representantes do partido deixem o governo.

"É prematuro. Nenhum deputado do PMDB fez qualquer crítica ao prefeito Beto Richa. Assim como o governador tem se mantido distante dessa discussão", afirmou.

Ele considera que o PSDB está direcionando suas reações para o inimigo errado. "O nosso adversário é o PT. E eu fico no cargo até quando o governador quiser", afirmou. O Estado não conseguiu ouvir o secretário do Trabalho, Nelson Garcia.

Fonte: Paraná-online  (02/07/2009)


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