No Paraná, políticos que tiveram o mandato cassado por infidelidade partidária ou se envolveram ou denúncias de compra de votos em um passado recente apostam na falta de memória do eleitorado para "redimir os pecados" nas urnas na disputa deste ano. Ex-deputado estadual e ex-prefeito de Paranaguá, Mario Manoel das Dores Roque (PMDB), exemplifica bem a situação. Ainda no PSB, Roque disputou a eleição de 2006, recebeu 37.747 votos e se garantiu como primeiro suplente.
Em 2008, o parnanguara, seduzido pelas benesses do então governador Roberto Requião (PMDB), trocou o PSB pelo PMDB para concorrer à Prefeitura de Paranaguá. Roque acabou derrotado pelo arquirrival José Baka Filho (PDT).
Em maio de 2009, beneficiado pela renúncia de Fernando Carli Filho (então no PSB) - envolvido em trágico acidente automobilístico - Roque finalmente assumiu mandato de deputado estadual. Sua passagem pela Assembleia porém foi curta, já que apenas seis meses depois da posse foi cassado pelo Tribunal Regional Eleitoral (TRE/PR), que atendeu a pedido do PSB embasado na regra da fidelidade partidária. Em outubro deste ano, Roque tenta reaver nas urnas o mandato.
Salto - Já o ex-deputado estadual e ex-prefeito de Fazenda Rio Grande Geraldo Cartário (PDT) planeja retornar à vida pública, em um cargo superior ao que perdeu. Cassado em abril do ano passado, o pedetista disputa agora uma cadeira na Câmara Federal. Cartário foi acusado de distribuir presentes a ouvintes de uma emissora de rádio de sua propriedade e de utilizá-la para promover a sua candidatura e criticar adversários políticos em 2006. "Fui condenado por ter dado um bolo de aniversário. Também criticava através da minha rádio a cobrança de uma taxa indevida na coleta de lixo, que depois foi reconhecida. A Justiça precisa ter melhores critérios. Um abuso de poder econômico não pode ser comparado a um estupro, roubo ou assassinato. Sou a favor do ficha limpa, mas não pode haver exagero", afirma Cartário.
Ex-vice - Apesar de nunca ter sido cassado, o ex-prefeito de Toledo, Derli Donin (PP), foi figura decisiva na eleição de 2006. Na ocasião, Roberto Requião (PMDB) usou o fato do pepista ter mais de 30 denúncias por crimes contra o patrimônio para desqualificar a candidatura de Osmar Dias (PDT) - de quem Donin era vice. Até hoje, a derrota do pedetista é atribuída à desastrosa escolha do vice. Em 2010, Donin ressurge no cenário eleitoral paranaense como candidato a deputado estadual.
Casa do Povo - Outro que não perdeu o mandato, mas foi acusado por crime eleitoral é o ex-deputado federal Íris Simões (PR). Em 2006, Íris e seu irmão, Carlos Simões, foram denunciados pelo Ministério Público Eleitoral pela utilização indevida dos meios de comunicação e por realizar doações que caracterizaram compra de votos na campanha, através de seu escritório "Casa do Povo". Íris não se reelegeu. Já Carlos, foi reeleito e teve o mandato cassado. Em outubro, Íris tenta garantir o retorno a Câmara Federal.
Campeão - O tucano Mauro Moraes garante que nem mesmo a perda do mandato de deputado estadual, em abril deste ano,
irá impedi-lo de assegurar novo mandato na Assembleia como candidato mais votado em Curitiba. Moraes foi punido pela
Justiça Eleitoral por ter trocado o PMDB pelo PSDB em setembro do ano passado, contrariando assim a regra da fidelidade
partidária.
O ex-parlamentar garante que o seu eleitorado compreendeu os motivos que levaram a cassação.
"Perdi o mandato por lutar por mais segurança. Fui perseguido pelo partido. Também defendi uma aliança
com Beto Richa ou Osmar Dias e fui recriminado. Agora, aconteceu exatamente o que defendi", disse Moraes referindo-se a aliança
dos peemedebistas com o PDT de Dias. "Além disso, tinha certeza de que não me dariam legenda para disputar a
reeleição. A população entende bem isso", completa.
Fonte: Jornal do Estado (25/07/2010)
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