O Parlamento do Mercosul aprovou em reunião hoje, em Montevidéu (Uruguai), declaração na qual
registra sua oposição às barreiras impostas pela União Européia à carne bovina dos
países do bloco. A medida afeta principalmente o produto brasileiro.
De autoria do deputado Max Rosenmann (PMDB-PR), a proposta foi relatada pelo senador Aloizio Mercadante (PT-SP). O texto expressa
que a liberdade do comércio internacional não deve ser maculada por ações unilaterais de caráter
discriminatório e que o Parlamento manifesta sua posição em defesa do livre acesso aos mercados e do
respeito às regras da Organização Mundial do Comércio (OMC). Os parlamentares registraram sua
convicção de que a carne bovina exportada pelos países do Mercosul é submetida às rigorosas
normas sanitárias internacionais, estando, portanto, apta a ser comercializada e consumida em qualquer parte do mundo.
No texto, os parlamentares lembram que recentes medidas da União Européia criaram obstáculos à
exportação da carne bovina brasileira para o mercado europeu e que as normas e princípios aplicáveis
ao comércio internacional, em especial as regras da OMC, condenam a prática de atos que atentem contra a liberdade
do comércio. O Parlamento ressalta ainda que, além do Brasil, a Argentina, o Uruguai e o Paraguai são
grandes exportadores de carne para a União Européia.
Pressão de produtores
A declaração foi suscitada devido à decisão da Comissão Européia, órgão
executivo da UE, de embargar as exportações de carne in natura do Brasil para o mercado europeu. O
senador Aloizio Mercadante observou que a medida, que passou a ter efeito a partir de 31 de janeiro de 2008, afetou muito
a imagem da carne brasileira no exterior, já que a União Européia é referência mundial em
relação ao controle sanitário e fitossanitário de produtos agrícolas.
Para Mercadante, a medida foi tomada sem fundamento científico adequado. Segundo o senador, devido a um pequeno foco
de aftosa prontamente debelado em Mato Grosso do Sul, a União Européia, fortemente pressionada por produtores
de carne britânicos e irlandeses, passou a exigir a implantação de um sistema de rastreabilidade de todo
o gado abatido no Brasil para fins de exportação ao bloco. Esse sistema, na avaliação do relator,
não encontra justificativa técnica aceitável num país de dimensões continentais como o
Brasil, além de ser caro e de difícil implantação.
Política comum
Durante os debates, o deputado Claudio Diaz (PMDB-RS) propôs uma política única de venda de produtos animais
do bloco. O deputado paraguaio Eric Salum também defendeu a necessidade de o Mercosul avançar em normas comunitárias
que permitam a formulação de uma política comum para o setor. O deputado argentino Adolfo Rodrigues Saa
criticou as barreiras impostas pela União Européia aos países do bloco que, afirmou, reúnem a
carne de melhor qualidade do mundo.
Fonte: Agência Câmara (19/08/2008)
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