O grupo de deputados aliados do governador Roberto Requião (PMDB) que assinou o projeto que cria uma lei obrigando o governo do Paraná a pagar segurança particular para ex-governadores se reúne na próxima semana para decidir se engaveta ou não a proposta. O recuo começou a ser discutido depois que o governador disse, por meio de seu Twitter, que não cogita a possibilidade de requerer o serviço de guarda-costas. A mensagem foi colocada no ar pelo governador na quarta-feira. No mesmo dia, o vice-governador Orlando Pessuti (PMDB), afirmou que o projeto seria inconstitucional e dificilmente seria sancionado por Requião. Nenhum deputado assumiu a paternidade da proposta, mas 13 parlamentares do PMDB e do PSDB assinaram como co-autores. Diante da repercussão negativa da iniciativa junto à opinião pública, dois parlamentares tucanos que apoiam o governo Requião já retiraram as assinaturas - Francisco Buhrer e Luiz Nishimori. Mantiveram o apoio os deputados Nelson Justus (DEM), Luiz Fernandes Litro (PSDB), Miltinho Pupio (PSDB), dr. Batista (PMN) e os peemdebistas Alexandre Curi, Luiz Cláudio Romanelli, Ademir Bier, Antonio Anibelli, Nereu Moura, Jonas Guimarães e Dobrandino da Silva. Além de perder apoio entre os próprios aliados, os deputados governistas vão enfrentar discursos e manobras da oposição para impedir a aprovação.
Pelo projeto, Requião e os próximos ex-governadores terão direito a quatro guarda-costas 24 horas, todos os dias da semana e durante, pelo menos, três anos depois de deixar o governo. O próprio governador poderá escolher os policiais militares para sua proteção pessoal. O estado teria de pagar as viagens, diárias e passagens aéreas para os seguranças acompanharem o governador dentro do país. O governo também teria de colocar um veículo oficial à disposição dos guarda-costas.
Sem incidentes
O chefe da Casa Militar, coronel Washington Alves da Rosa, afirmou que nos últimos sete anos em que está no cargo não houve nenhum incidente de risco envolvendo o governador ou outras autoridades. "A Casa Militar nunca ofereceu segurança a ex-governadores, nunca foi solicitado", disse.
Segundo o coronel, que não quis entrar no mérito do polêmico projeto em discussão na Assembleia Legislativa, o governador Requião costuma viajar com apenas um segurança e a estrutura policial é oferecida pelos estados que visita.
O papel da Casa Militar, segundo ele, é oferecer segurança ao governador do estado, aos familiares e a qualquer pessoa que for indicada pelo governador. A Casa Militar também protege as residências oficiais, palácios de governo e é responsável pela segurança das autoridades que visitam o Paraná. Atualmente, é composta por 120 integrantes da Polícia Militar e Corpo de Bombeiros.
Fonte: Gazeta do Povo (12/03/2010)
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