05/07/2010

Eleição Polarizada no Paraná

Cientistas políticos avaliam que apesar de contar com sete candidatos ao governo do Estado, apenas Beto Richa (PSDB) e Osmar Dias (PDT) têm chances de vencer o pleito.

Curitiba - As negociações intensas dos últimos dias terminaram na formação de um quadro eleitoral polarizado logo no primeiro turno da disputa ao governo do Paraná. Embora sete nomes tenham se lançado na corrida ao posto máximo do Executivo estadual, apenas dois têm chances de ganhar a maioria dos votos: de um lado, Beto Richa (PSDB), aliado com PP, DEM e PPS; do outro lado, Osmar Dias (PDT), que nas costuras finais fechou com PMDB e PT. ''Seria polarizada por falta de outras opções'', afirma o cientista político Emerson Cervi, da Universidade Federal do Paraná (UFPR). ''Um aspecto interessante da eleição de outubro é que não se tem candidato à reeleição ao governo do Estado'', emendou ele.

''O PMDB ficou oito anos no governo do Estado, foi razoavelmente bem avaliado, mas não conseguiu formar novos quadros. Mesmo se Pessuti saísse candidato, ele não teria chance'', afirma Cervi, em referência à desistência do atual governador do Estado, Orlando Pessuti (PMDB), que abriu mão da possibilidade de reeleição, em nome da construção de um palanque regional forte - via Osmar - para a candidata de Lula (PT) à presidência da República, Dilma Rousseff.

Mas, embora polarizada entre Osmar e Beto, os dois nomes são próximos: uma das possibilidades de aliança inclusive colocava Osmar candidato à reeleição ao Senado na chapa encabeçada pelo tucano. Beto apoiou Osmar no segundo turno das eleições de 2006, quando ele disputava contra Roberto Requião (PMDB), hoje na disputa ao Senado justamente na chapa do pedetista. Na disputa de 2008, foi a vez de Osmar apoiar Beto em Curitiba. ''Não tem variação entre eles do ponto de vista ideológico. Os dois ficam mais ou menos no centro, mas Osmar agora sendo puxado mais para a esquerda e Beto para a direita. Como Beto sempre se aliou a grupos mais conservadores, o seu deslocamento é mais sutil. No caso de Osmar, que sempre adotou uma linha mais centro direita, do agronegócio, o seu deslocamento é mais evidente'', analisa ele.

Assim, a mudança de Osmar para viabilizar sua candidatura pode ficar mais clara para o eleitor: ''Para o eleitor ficará complexo, será um exercício. Mas, quando o eleitor tem dificuldade em distinguir os candidatos, ele olha para o lado, para ver quem são os aliados dos candidatos. Não acredito que haverá prejuízos para Osmar, mas também não haverá ganhos. A composição que Osmar faz, com PMDB e PT, é para garantir tempo de TV. O PDT sozinho não se viabiliza'', afirma Cervi.

Para o cientista político Ricardo Oliveira, também da UFPR, vale a máxima da política mineira: ''Nunca fale tão bem de um aliado'', já que, no futuro, ele pode ser seu adversário. ''Toda essa turma faz uma grande dança das cadeiras. Política não tem coerência, é feita de interesses pessoais'', disse ele, destacando que os adversários ao governo do Estado no segundo turno de 2006, Osmar e Requião, vão agora subir no mesmo palanque para receber Dilma Rousseff. ''Todos eles têm falas de elogios aos seus (agora) adversários'', afirma ele.

Oliveira acredita, contudo, que a disputa que existe entre PDT e PSDB em alguns municípios paranaenses pode contribuir para a formação de um embate. Ele cita, por exemplo, os confrontos das siglas em Londrina, Paranaguá, Foz do Iguaçu e Umuarama. ''Parte do eleitorado do PT tem dificuldade com Osmar, mas a aliança não é um impedimento. Basta ver, em outros Estados, políticos representantes do agronegócio que passaram a apoiar Lula, e com resultado positivo'', afirma ele.

Para Emerson Cervi, quando a campanha eleitoral chegar nas ruas, o que deve coincidir com o fim da Copa do Mundo, os discursos de Beto e Osmar devem ser reformulados. Ele não acredita, contudo, num ''clima de agressão'', justamente em função da proximidade dos candidatos.

Para Ricardo Oliveira, os discursos de Beto e Osmar podem ficar ''parecidos'' durante a campanha eleitoral, mesmo numa disputa polarizada: ''E assim deve ser a disputa nacional também. (José) Serra também não pode bater no Lula. Tanto que ele tenta construir uma imagem pós-Lula'', analisa ele.

Fonte: Folha de Londrina (04/07/2010)

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