08/09/2010

Osmar diz que não concorda com tudo, mas apoia Requião

Senador afirma que tem divergências com ex-governador sobre MST e transgênicos. Porém, elogia programas sociais do peemedebista.

"Não preciso concordar com tudo que Requião fala e pensa." Foi dessa forma que o candidato ao governo do Paraná Osmar Dias (PDT) justificou na quarta-feira (01) o fato de discordar em temas polêmicos do ex-governador Roberto Requião (PMDB), que o apoia na sucessão estadual. Durante a sabatina promovida na quarta-feira (01) pelo jornal Folha de S. Paulo e pelo portal UOL, em Curitiba, Osmar apresentou divergências de Requião, seu adversário na disputa pelo governo do estado em 2006.

Osmar também disse ser contra a proposta de compensação de dívidas de ICMS com precatórios, encaminhada pelo governador Orlando Pessuti, outro peemedebista que integra a aliança de Osmar. Outro ponto de atrito com aliados do PMDB: Osmar não concorda com o projeto do deputado estadual Luiz Claudio Romanelli de permitir que a Copel seja patrocinadora do estádio do Atlético Paranaense para a Copa do Mundo de 2014.

Osmar disse durante a sabatina que não se sente constrangido com as divergências e que é possível divergir até mesmo dentro da própria família. Citou o fato de o irmão, o senador Alvaro Dias (PSDB), ter ideias políticas diferentes e apoiar outros candidatos. "A democracia permite diversidade de ideias", disse o pedetista. "Em relação ao governo do Requião reconheço avanços, mas não deixo de fazer minhas críticas."

Osmar elogiou os avanços na educação e na saúde, o projeto que beneficia micro e pequenas empresas com redução ou isenção de impostos e a recuperação na malha viária: "Sou candidato para dizer que vou melhorar esses avanços que já foram conquistados no atual governo".

Questionado sobre o fato de Requião ter lhe chamado de "sórdido" e "calunioso" na disputa ao governo do estado em 2006, Osmar afirmou que depois o ex-governador viu que "estava errado e teve grandeza de publicamente reconhecer".

Análise

O professor de Ciência Política da PUCPR Mário Sérgio Lepre diz que o eleitor não compreende a aliança que Osmar fez com Requião e o PMDB. "O que a gente percebe é que ele [Osmar] tinha um eleitor em 2006 que ele pode não ter hoje. Porque o eleitor de 2006 não mudou como ele", afirma. "O eleitor tem posicionamento. Ele vota no Osmar pela pessoa, mas também por aquilo que Osmar representa." Para Lepre, a impressão é de que Requião e Osmar estão juntos apenas por causa da necessidade da coligação.

O cientista político Renato Perissinotto, professor na UFPR, afirma que isso pode confundir a cabeça do eleitor. "Acho que o Requião, apesar dos oportunismos de ficar mudando de apoio, tem de fato algumas posições ideológicas mais marcadas. Quando ele tem que traçar estratégia para sobrevivência política parece que se alia com qualquer um", diz.

Reforma agrária

Com relação ao Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem Terra (MST), Osmar disse que tem direito de ter uma convicção e ideologia e que o ex-governador Requião tem direito a ter outra. Osmar defende que as invasões sejam coibidas e que o direito à propriedade seja respeitado. Segundo o candidato, o governo Lula fez mais reforma agrária e dialogou com movimentos sociais. "Reintegração de posse tem que ser feita, mas com diálogo", defendeu. De acordo com Osmar, o estado praticamente não tem estoque de terras para reforma agrária. A proposta dele é uma alternativa de reforma agrária que possibilita o financiamento de lotes por 15 a 20 anos.

Osmar também defende os transgênicos, que chegaram a ser proibidos no estado por Requião. Segundo Osmar, o aumento de 150% na produção agrícola ocorreu não pela expansão da área cultivável, mas principalmente pela aplicação da tecnologia na agricultura. Ele disse ser contra misturar a soja convencional com a transgênica, mas completou que é preciso dar ao consumidor a possibilidade de escolher. Requião era contra a soja transgênica e afirmava que ela daria dinheiro ao sistema de multinacionais.

Fonte: Gazeta do Povo (02/09/2010)

Deixe seu comentário

Nome (obrigatório)
E-mail (obrigatório)
Não será divulgado
Cidade (obrigatório) UF (obrigatório)
Site
Seu blog ou página pessoal
Mensagem




 Li e aceito o termo de responsabilidade online
1. Os sites do Sistema Fiep incentivam a prática do debate responsável. São abertos a todo tipo de opinião. Mas não aceitam ofensas. Serão deletados comentários contendo insulto, difamação ou manifestações de ódio e preconceito;
2. São um espaço para troca de idéias, e todo leitor deve se sentir à vontade para expressar a sua. Não serão tolerados ataques pessoais, ameaças, exposição da privacidade alheia, perseguições (cyber-bullying) e qualquer outro tipo de constrangimento;
3. Incentivamos o leitor a tomar responsabilidade pelo teor de seus comentários e pelo impacto por ele causado; informações equivocadas devem ser corrigidas, e mal entendidos, desfeitos;
Defendemos discussões transparentes, mas os sites do Sistema Fiep não se dispõem a servir de plataforma de propaganda ou proselitismo, de qualquer natureza. e
5. Dos leitores, não se cobra que concordem, mas que respeitem e admitam divergências, que acreditamos próprias de qualquer debate de idéias.
   Aceito receber comunicação da Fiep e seus parceiros por e-mail
 
 
Rede de Participação Política
Av. Comendador Franco 1341 | Jardim Botanico | 80210-090 | Fone: 41 3271 7404 | Fax: 41 3271 7424

Nem a Rede de Participação Política, nem as instituições que a apoiam - como a FIEP e a FACIAP - se responsabilizam pelas opiniões políticas emitidas livremente pelos leitores e usuários deste Sistema de Monitoramento e Avaliação dos Eleitos. Entretanto, mensagens grosseiras ou ofensivas serão removidas pelos administradores do Sistema, tão logo forem constatadas. Também não serão admitidas acusações desprovidas de fundamento, sobretudo de caráter pessoal, ou que caracterizem luta política organizada contra um representante eleito, e, ainda, postagens que possam configurar calúnia, injúria ou difamação. Os pesquisadores da UFPR que alimentam o Sistema (clique aqui para ver explicação mais detalhada) não são fontes de notícias, não inventam notícias, nem emitem quaisquer opiniões: apenas recolhem e classificam o que foi publicado em um conjunto restrito de órgãos de imprensa previamente considerados.