A Assembleia Legislativa retoma os trabalhos nesta terça-feira (02) com as atenções voltadas para as eleições de outubro, onde a maioria dos deputados pretende buscar a reeleição. A grande preocupação dos parlamentares nos próximos meses será com a definição do quadro de candidaturas e alianças para a disputa pelo governo do Estado, que tem consequências diretas nas chances de vitória eleitoral dos próprios deputados. O clima eleitoral também deve se refletir no acirramento dos debates políticos na Casa entre governo e oposição.
O calendário eleitoral, aliás, terá efeitos diretos nesse realinhamento das forças políticas no Legislativo. Até 3 de abril, o governador Roberto Requião (PMDB) deve se desincompatibilizar do cargo para disputar uma vaga no Senado, e seu vice, Orlando Pessuti (PMDB), assume o governo com a esperança de se viabilizar candidato à sucessão estadual. O prefeito de Curitiba, Beto Richa (PSDB), também terá que renunciar ao cargo caso seja aclamado candidato tucano ao governo. Já o senador Osmar Dias (PDT) - que não precisa deixar o cargo para concorrer ao governo - vai buscar a atração de aliados para a disputa.
A definição de candidaturas e coligações para a disputa pelo governo deve produzir mudanças significativas no comportamento das bancadas no plenário do Legislativo estadual. Parlamentares que hoje estão na base do governo podem passar a atuar de forma independente ou até ir para a oposição. As bancadas devem se dividir entre os principais candidatos, em um cenário que hoje aponta para uma disputa polarizada entre Osmar e Beto Richa, com Pessuti correndo por fora. Diante desse ambiente instável, o governo deve evitar, nesse período, a apresentação de projetos mais polêmicos. Entre as poucas propostas que devem concentrar as atenções dos parlamentares no primeiro semestre estão o reajuste do piso salarial mínimo regional e a Proposta de Emenda Constitucional que estabelece a unificação dos vencimentos dos Policiais Militares, o chamado "subsídio".
O líder do governo na Assembleia, deputado Luiz Cláudio Romanelli (PMDB), admite que o clima eleitoral deve contaminar as discussões, mas não acredita que a base governista perca apoio. "Os deputados que estão nos apoiando vão continuar. Depois de março, a partir da configuração de candidaturas e alianças para o governo é que podem haver mudanças", avalia.
O comportamento da bancada do próprio PMDB é uma incógnita, já que com a saída de Requião e a posse de Pessuti, deve se intensificar o debate em torno dos rumos do partido na eleição. Boa parte dos deputados peemedebistas não acredita nas chances eleitorais de Pessuti, e prefere uma aliança com o PSDB de Beto Richa. A previsão é que sem um candidato competitivo e alianças fortes, pelo menos metade dos 17 deputados do partido não se reelege.
Na oposição, a expectativa é de novas adesões a medida que o calendário eleitoral avance. "Espero que sim. Porque até hoje a oposição foi diminuta e o governo aprovou tudo o que quis", reconhece o líder oposicionista, deputado Élio Rusch (DEM).
"Quando chega no final do governo, muitos 'passarinhos' acabam migrando e engrossando as fileiras da oposição", ironiza o deputado Reni Pereira (PSB). Segundo ele, há expectativa também em torno da posse de Pessuti e o comportamento do novo governador possa produzir mudanças no Legislativo. "O Pessuti tem certas diferenças em relação ao Requião. Tem que ver se ele vai colocar em prática essas diferenças ao assumir, ou vai manter como está", questiona.
Esforço concentrado - Em relação as votações, o presidente da Assembleia, deputado Nelson Justus (DEM), afirma a princípio que não devem ser afetadas pela disputa eleitoral, pelo menos no primeiro semestre. Alguns parlamentares, porém, já defendem que no segundo semestre, quando a campanha começar efetivamente, as sessões sejam reduzidas e as votações restritas a um "esforço concentrado". "Poderíamos realizar as sessões as segundas, terças à tarde, e quarta pela manhã", defende Reni Pereira. Hoje as sessões são as segundas, terças, e quartas-feiras à tarde e às quintas-feiras pela manhã. Mas já no ano passado, as sessões das quintas-feiras foram na maioria das vezes antecipadas para as quartas. "Não adianta tapar o sol com a peneira. Se mantiver como está não vai ter quórum e vai ficar pior para a imagem da Assembleia", diz Pereira. "O plenário é só uma parte do trabalho dos deputados. Podemos fazer as votações em esforço concentrado, quando precisar votar algo relevante", concorda o líder do governo, Luiz Cláudio Romanelli.
Fonte: Gazeta do Povo (31\01\2010)
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