26/10/2009

Gastos para informar eleitores

Despesas dos deputados estaduais em setembro mostram que boa parte dos parlamentares já está com o pensamento no pleito de 2010.

O clima eleitoral definitivamente tomou conta da política paranaense. Há um ano da eleição, os gastos de setembro dos deputados estaduais mostram que boa parte dos parlamentares já está com a cabeça no pleito de 2010. Conforme os dados divulgados no Portal da Transparência (www.aleppr.com.br), é comum entre os 54 deputados gastar a maior fatia dos R$ 15 mil de verba indenizatória com refeições, combustível e locação de carros, nas viagens feitas às bases eleitorais no interior do estado. As despesas incluem ainda a compra de espaço em veículos de comunicação e a contratação de pesquisas de opinião que, segundo os parlamentares, apontam que caminho o mandato deve seguir.

Essa é apenas a segunda prestação de contas publicada no portal, que entrou no ar há dois meses. Em ambos os casos, porém, o destino dado pelos deputados aos recursos públicos revelou algumas surpresas. No quesito “serviços técnicos profissionais”, os principais gastos dizem respeito à contratação de pesquisas de opinião – de acordo com a Assembléia, esse tipo de despesa está previsto na verba de ressarcimento. No ranking dos que mais repassaram dinheiro para institutos de pesquisa, estão os tucanos Ademar Traiano e Luiz Fernandes Litro.

Lista de servidores está no portal

Nesta semana, o Portal da Transparência recebeu algumas novidades que, desde que o site entrou no ar, vinham sendo cobradas por especialistas e pela opinião pública. A principal delas foi a publicação da lista de servidores da Assembléia. O documento, no entanto, está desatualizado e traz a mesma relação apresentada em papel no mês de abril. Outro fato novo foi a divulgação do controle de presença dos 54 deputados nas sessões.

A lista de servidores apresenta o nome dos 516 funcionários efetivos e dos 1.942 comissionados. Entretanto, o documento se refere às pessoas nomeadas até 31 de março. Portanto, ainda aparecem na listagem funcionários do ex-deputado Fernando Ribas Carli Filho, que renunciou ao mandato, e do parlamentar cassado Carlos Simões (PR) – os dois deixaram a Assembléia em maio. Funcionários dos deputados Mário Roque (PMDB) e Neivo Beraldin (PDT), que assumiram as duas vagas, permanecem de fora da relação. Também não foram divulgados o cargo dos servidores, em quais gabinetes trabalham e nem o salário de cada um deles.

Outra falha do portal, segundo especialistas, é a não divulgação das verbas extras destinadas às lideranças e à mesa executiva e, também, do histórico de como votou cada deputado.

Traiano gastou R$ 4.100 com a empresa Radar Estatística, de Francisco Beltrão. O parlamentar argumentou que sempre trabalhou com pesquisas de opinião. Segundo ele, os dados coletados permitem direcionar o mandato de acordo com o que de sejam os eleitores da sua região, no Sudoeste do estado. “O resultado das pesquisas é muito bom, porque trabalho com informação. Cada político tem um estilo. Eu faço oposição e procuro saber o que a população espera”, afirmou.

O mesmo instituto também recebeu em setembro R$ 4 mil de Luiz Fernandes Litro. O deputado disse que a despesa se refere a duas pesquisas que ele contrata mensalmente, para ver se está “trabalhando no caminho certo”. “Ouvindo a população você abre caminho para muitos projetos e o resultado é muito bom”, declarou. “Você vê o que o eleitor está achando do seu trabalho e descobre do que ele mais precisa.”

Já no item “divulgação da atividade parlamentar”, os gastos foram ainda maiores e serviram para comprar espaço em rádios, televisões e jornais de todo o estado. Campeão nessas despesas, Teruo Kato (PMDB) repassou R$ 6.600 para seis empresas de comunicação na região de Paranavaí. O peemedebista justificou que essa é a principal forma de divulgar o trabalho parlamentar. “Se o nosso trabalho não for divulgado, como a população vai tomar conhecimento do que está sendo feito?”, questionou. “O maior respeito que um deputado pode ter é fazer com que o eleitor saiba sobre o seu trabalho. Só no corpo a corpo não damos conta.” Questionado sobre o retorno do investimento, Kato disse que “vamos saber o resultado na eleição”.

O petista Tadeu Veneri, que gastou R$ 8.337 com “serviços gráficos”, também argumentou que os 50 mil jornais impressos mensalmente são a única maneira de chegar a maior parte da população. “É uma forma de prestar contas do meu mandato. Faço isso desde quando era vereador.”

Comida e viagens

Outros gastos que chamam a atenção são as despesas com refeições, combustível e locação de carros. Alguns deputados chegaram a gastar mais de dois terços da verba indenizatória apenas nesses três quesitos – no total, o ressarcimento inclui 27 itens. O deputado Valdir Rossoni (PSDB), por exemplo, gastou R$ 6.380 em locação de veículos e R$ 4.899,54 em alimentação. Ele justificou que aluga mensalmente três automóveis para que assessores percorram o interior e que a despesa com refeições diz respeito a reuniões com lideranças nas viagens pelo Paraná. “Como faço contato com meus eleitores? Não posso ir na casa de cada um. Vou em cada região e reúno um certo número de pessoas para prestar contas e ouvir reivindicações.”

 

Fonte: Gazeta do Povo (25/10/2009)

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