Outro impasse é a reprodução, na disputa para vagas na Assembleia e na Câmara
Federal, da aliança que será feita na eleição ao governo. O PMDB insiste em fechar a coligação
com o PT e o PDT também na chapa para deputado federal e estadual. Os petistas, no entanto, resistem a essa proposta.
"O Pessuti, num gesto de desprendimento, falou que poderia deixar de ser candidato desde que houvesse uma grande coligação,
na qual os interesses partidários de todos fossem contemplados. Se nós, que temos um candidato ao governo do
estado, abrimos mão da cabeça [de chapa], cada um tem de dar a sua contribuição", afirmou o presidente
estadual do PMDB, deputado Waldyr Pugliesi.
Os peemedebistas querem estar coligados na disputa às vagas de
deputados porque garantiriam bancadas maiores. Já o PT acredita que, com essa composição, sua participação
na Assembleia e na Câmara tende a diminuir.
Na tarde de ontem, Pugliesi e os presidentes estaduais do
PT, Ênio Verri, e do PDT, Augustinho Zucchi, se reuniram para tratar da coligação entre as três
legendas na eleição para deputado. O tema deve afetar outros parceiros, como PCdoB, PSC, PRB e PR.
Ainda havia a expectativa de um encontro entre Osmar Dias e Orlando Pessuti durante a noite, em Curitiba para definir alguns
detalhes. A reunião, porém, não foi confirmada. Segundo a assessoria de Pessuti, ele passaria a noite
em casa em repouso para de recuperar de fortes dores nas costas.
A intenção do PMDB é que a
questão da aliança esteja fechada até a convenção do partido, no domingo, mesma data da
convenção petista. "Nós queremos ir para essa convenção com o quadro definido. Acho que
esses problemas não deveriam ultrapassar o dia de amanhã [hoje]", disse Pugliesi.
Segundo a candidata
do PT ao Senado, Gleisi Hoffmann, a formação de uma chapa conjunta na eleição para deputado prejudicará,
em especial, os parlamentares estaduais do partido. "Além disso, ainda precisamos ver outras vagas que estão
abertas. Entre elas, as duas da suplência de Requião para o Senado."
Gleisi garantiu que as discordâncias
não serão problema para a oficialização da aliança. Ela também adiantou que o presidente
Lula e a candidata do PT à Presidência, Dilma Rousseff, devem comparecer ao estado em um evento preparado para
celebrar a união entre os três partidos. O encontro pode acontecer no próximo fim de semana.
Já o anúncio da formalização da chapa, que deveria ter sido feito ontem em uma entrevista coletiva
em Curitiba, ainda não tem data para ocorrer. A tendência é que seja amanhã, para não concorrer
com o jogo entre Brasil e Portugal, hoje. O adiamento ocorreu a pedido de Pessuti, que requisitou mais tempo para negociar
internamente e com os petistas.
Enquanto isso, prossegue a possibilidade de que a aliança seja desfeita caso
Alvaro Dias (PSDB) seja indicado a vice de José Serra. As chances, no entanto, são quase remotas (veja mais
na reportagem abaixo). O próprio Osmar também disse anteontem que não esperaria até o fim de semana
por uma resposta dos tucanos. Já Serra afirmou que a escolha de seu vice só deve sair a partir de amanhã.
Fonte: Gazeta do Povo - Caroline Olinda e André Gonçalves (25/06/2010)
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