02/08/2010

PREFEITOS DESPREZAM COLIGAÇÕES

Os casos de políticos "rebeldes" alteraram o mapa de influência das legendas nos 399 municípios paranaenses, que durava desde as últimas eleições.

As coligações que vão disputar as eleições estaduais deste ano no Paraná estão fechadas há mais de 20 dias. Mas isso não tem impedido prefeitos e lideranças partidárias municipais de fecharem acordos, ainda que não oficiais, contrariando as alianças de seus partidos. Os casos de políticos "rebeldes" alteraram o mapa de influência das legendas nos 399 municípios paranaenses, que durava desde as últimas eleições.

Os dois principais candidatos que disputam o Palácio Iguaçu, Beto Richa (PSDB) e Osmar Dias (PDT), têm o apoio oficial dos partidos que administram 98% dos municípios do estado. Em número de prefeituras, a coligação A União Faz Um Novo Amanhã, do pedetista, está na frente. São seis partidos que governam 232 cidades. A coligação Novo Paraná do tucano é formada por 14 partidos, que têm 160 prefeitos. Já em número de eleitores, a base de Richa sai na frente, com 1.895.278 votantes em quatro dos dez maiores colégios eleitorais do Paraná, entre eles a capital. Osmar tem apoio dos prefeitos dos outros seis grandes municípios, mas que juntos somam 1.125.070 eleitores.

O mapa do apoio, no entanto, fugiu do controle das coligações desde que alguns prefeitos e lideranças decidiram apoiar candidatos adversários de seus partidos. É o caso de Aparecido José Weiller Júnior, prefeito de Jesuítas e presidente da Associação dos Municípios do Oeste do Paraná (Amop). Apesar de ser do PMDB, da base de Osmar, anunciou apoio a Richa. Para ele, a aliança de sua legenda com o PDT é uma incoerência. "Trabalhei nos 50 municípios da região para viabilizar a candidatura do [governador Orlando] Pessuti, mas a decisão do diretório foi outra", disse.

A mesma opinião é compartilhada pelo prefeito de Almirante Tamandaré, município da região metropolitana de Curitiba, Vilson Goinski. Ele também contrariou a decisão do PMDB e vai apoiar o candidato tucano. "Em 2006 fizemos campanha apoiando [Roberto] Requião para o governo contra Osmar. Não dá para voltar atrás agora e desdizer tudo que dissemos antes", argumentou. Apesar de não apoiar o candidato ao governo da coligação, Goinski afirma que vai apoiar os candidatos a senador, deputado estadual e federal do PMDB.

Do outro lado está o prefeito de Tijucas do Sul, José Altair Moreira. Ele é filiado ao PP, partido que apoia Richa, mas decidiu fazer campanha para Osmar Dias. "Osmar já tem um histórico de ajuda a nosso município e acreditamos que continuará", disse. O prefeito de São José dos Pinhais, Ivan Rodrigues (PTB), é mais um dos que não seguiu a recomendação do partido. Ele disse que apoia a continuidade da atual administração, representada pela candidatura de Osmar Dias. "Estamos apoiando aqueles que dedicaram mais atenção a nossa cidade nos últimos anos", afirmou.

O deputado federal Alex Canziani, presidente estadual do PTB, disse que o partido não está preocupado com os "rebeldes". "Eles são minoria, a maior parte está fechada com Beto", afirmou. Já o presidente estadual do PMDB, deputado Waldyr Pugliesi, afirmou que os dissidentes são um problema e os comparou a Joaquim Silvério dos Reis, militar considerado um dos traidores da Inconfidência Mineira. "Sabíamos que neste ano haveria muitos Joaquins Silvérios dos Reis, mas não vamos ficar parados só assistindo". Pugliesi não quis falar em afastamento, disse apenas que o partido está estudando as medidas que serão adotadas.

O apoio dos administradores municipais na eleição estadual é importante, segundo o cientista político Carlos Augusto da Silva Souza, professor da Universidade Federal do Pará (UFPA). "O prefeito tem poder porque está com a máquina pública na mão", lembra. Segundo Souza, o apoio, no entanto, não é decisivo, depende da avaliação do governante. "Os municípios onde a avaliação do prefeito é melhor têm um peso maior", afirmou.

Punição
Pelo menos um partido já adotou medidas punitivas contra os dissidentes até agora. O PV suspendeu a filiação do ex-presidente do partido em Guarapuava Celso Góes, sob a alegação de infidelidade partidária. Góes havia se inscrito para disputar as eleições para Câmara dos Deputados, mas teria desistido para apoiar um candidato do PPS. O partido deu prazo de 30 dias para ele apresentar sua defesa e depois decidirá sobre a expulsão ou não de Góes da legenda.

Fonte: Gazeta do Povo - Gladson Angeli (29/07/2010)

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